segunda-feira, 12 de novembro de 2012

É culpa da internet?


Quem nunca chegou em casa, quando criança, chorando porque tinha ralado o joelho? Ou levou a maior bronca da mãe porque tinha tomado chuva? Eu, pelo menos, muitas vezes. Brincava na rua, andava de bicicleta, jogava amarelinha, pulava corda... Mas isso já faz algum tempo, uns dez  ou quinze anos, pelo menos. O tempo passou e com o boom da internet nos anos 2000, a molecada correu pra frente do computador e de lá não saiu mais. Tornaram-se adultos cuja vida voltaria à estaca zero caso não pudessem acessar mais seus computadores.

E as crianças de hoje? Fazem o quê? Essa é uma questão criticada por muitas pessoas. Dizem que elas não brincam mais com os colegas, não saem ao ar livre e só ficam entretidas com a tecnologia: celular, notebook, tablet, videogame, TV e toda a sorte de coisas que se encontra na internet. Dizem também que elas não terão histórias para contar aos netos, que não terão resistência contra doenças, devido à baixa imunidade, entre outras coisas.

Sim, concordo que as crianças deveriam passar menos tempo em frente ao computador e se dedicarem mais às relações com a família e com os amigos. Mas se elas estão "perdendo" a sua infância devido ao excesso de utilização das máquinas, o mesmo ocorre com os adultos que tanto criticam. Passam dias sem ver o pôr do sol, meses sem dar uma volta no parque que fica a três quadras de casa e nem se lembram da última vez em que ouviram um pássaro cantando.

Não sou contra a internet, pelo contrário, ela facilita muito o nosso cotidiano. É uma ferramenta e tanto, mas funcionaria bem melhor se fosse usada em parceria com outros métodos. Sozinha, é falha. A exemplo disso, temos as revoluções que aconteceram na Líbia, no Egito e no Oriente Médio como um todo, foi a chamada Primavera Árabe. As pessoas se organizaram através das redes sociais e depois foram às ruas reivindicar seus direitos, questionar o sistema autoritário em que viviam, enfim, buscaram mudanças para o sistema social ao qual eram submetidas. Elas saíram de suas cadeiras, onde eram fracas, e se uniram em praça pública, onde se tornaram a voz de um país. Do modo em que vivemos hoje, não conseguiríamos acabar com uma ditadura militar, como fez o Movimento Estudantil das décadas de 1960 e 1970. Como um exemplo claro disso, temos o Fora Marconi...

2 comentários:

Pericles Carvalho disse...

Muito bom Mábia! Uma crítica muito sensata sobre a nossa relação de dependência e de imprudência voltada para a Internet!

Pericles Carvalho disse...

Se pensarmos em como isso se reflete para a nossa vida em sociedade percebemos que sites de relacionamentos tem substituído o contato pessoal, o calor humano, a visita na casa de um velho amigo, o estudar em grupo. São momentos que estão perdendo o seu significado que é manter as pessoas mais próximas e compreender melhor os indivíduos através dessas interações... Com isto produzimos também novas formas de solidão, ao dividirmos nossos perfis e informações pessoais com pessoas que não temos intimidade o suficiente, mas que criamos expectativas que quase sempre não são sustentáveis.